O cidadão Ricardo Guia disse que a desvalorização de terrenos com a chegada da mineração seria muito maior do que com a criação da APA Serras e Águas de Piumhi, chamou a atenção para a importância da qualidade da água na criação de animais, disse que o grupo de discussão do projeto da Área de Proteção Ambiental é aberto para dúvidas da população e solicitou ao Vereador Júnior que preste contas à sociedade das viagens feitas a cidades com atividade mineradora.
A cidadã Carla se apresentou como representante de sua família, que é proprietária de terra na região do Araras, e alegou que a APA pode beneficiar as atividades rurais. Relatou que a família foi procurada pela mineradora e argumentou que o Código Florestal pacificou as questões de áreas que podem ser utilizadas para plantação e criação de gado. Disse que a mineradora pode entrar com pedido de servidão minerária e desapropriar donos de terrenos no local a ser utilizado. Discorreu sobre pagamentos a produtores rurais por serviços ambientais no Araras, como a recuperação da mata ciliar. Afirmou que é falso o pressuposto de desvalorização das áreas rurais com a criação da APA e disse que a mineradora fugiu aos debates propostos e não está aberta ao diálogo.
A cidadã Carmen Lúcia disse que um Parque Nacional é diferente de uma APA, comentou os casos de terrenos fora da área planejada para mineração que foram sondados pela mineradora, criticou o parecer jurídico sobre o Projeto de Lei de criação da APA, alegou que os interessados pela mineração não apresentaram nada relacionado à preservação do meio ambiente, afirmou que os proprietários rurais estão sendo usados como bolas de canhão pela mineradora e mencionou o risco de desapropriação por servidão minerária.
O cidadão Eli Ferreira se declarou contrário à criação da APA, cuja extensão englobaria sua propriedade. Argumentou que a má qualidade da água atualmente se deve ao fato de que o Rio Piumhi recebe esgoto da cidade de Capitólio e da comunidade de Penedos, relatou casos de poluição do Ribeirão do Araras e a falta de fiscalização ambiental. Relatou também que motoqueiros sobem a serra e deixam valas na região.
A cidadã Maria de Fátima disse que os moradores da zona rural foram pegos de surpresa com o projeto da APA e reforçou a afirmativa sobre problemas com os motoqueiros, citando as dificuldades geradas na subida da Serra do Andaime. Declarou-se contra a proposta de criação da Área de Proteção Ambiental e afirmou que a alegação de que o projeto não prejudicaria o agricultor não se estende a proprietários de terrenos com pastagem para criação de animais e outros moradores. Afirmou que sua terra contém minérios, disse que respeita a senhora Carmen Lúcia, mas avisou que a campanha contra a mineração não mudaria nada e que mataria os produtores rurais aos poucos, comparando-a com a Covid-19. Disse que 90% de tudo que é usado pelas pessoas é retirado do subsolo, criticou o argumento da Vereadora Shirley sobre os casos de câncer, afirmando que tais casos já ocorrem há muitos anos, e terminou dizendo que diversos produtos são derivados da mineração, inclusive aparelhos médicos.
O cidadão João Rodrigues também se declarou contrário à APA, relatando que o projeto poderia impedir obras em seu terreno.
A cidadã Emi Maria também se declarou contrária ao projeto da APA, citando as restrições do Parque Nacional da Serra da Canastra, e mencionou problemas com motoqueiros na região do Araras, que levantam poeira nas casas ao passar pelas estradas e não respeitam os limites dos terrenos. Terminou relatando que já contribui com o Projeto Araras com uma pequena reserva em sua terra.
O cidadão Helio Machado disse que veio representando dois vizinhos, sendo eles Zezé Queiroz e Eduardo Alencar. Relatou que os produtores foram pegos de surpresa com o projeto de criação da APA Serras e Águas de Piumhi e defendeu seu direito de uso da terra que adquiriu. Reforçou os relatos de problemas com valas nas vias rurais na serra e a falta de fiscalização quanto aos responsáveis pela degradação dessas vias, em comparação com a fiscalização sofrida pelos moradores locais.
O cidadão Antonio Evandro afirmou ter estudado o projeto da APA com um engenheiro ambiental e um ex-vice-prefeito de Arcos e que as mineradoras têm mecanismos para derrubar restrições, devido ao fato de o subsolo pertencer à União, enquanto os produtores rurais não podem realizar trabalhos em suas terras. Disse que o uso de sua terra já é limitado por uma APP e seria ainda mais limitado pela APA. Encerrou argumentando que eventuais acordos entre mineradora e produtores rurais seriam comprometidos com o projeto, tendo em vista que a empresa poderia recorrer à Justiça e desapropriar os terrenos sem aviso prévio.
O cidadão Marcelino explanou os processos para se registrar e repassar como herança uma área rural com reservas ambientais e disse que um novo registro para um herdeiro dependeria da autorização da APA. Mencionou também o descarte de lixo de turistas nas propriedades rurais dos produtores. Alegou que o mapa da área projetada está equivocado e encerrou pedindo aos vereadores atenção quanto ao projeto.